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Zona Oeste do Rio de Janeiro pode ganhar novos terminais de ônibus

Rio Ônibus vai entregar para o prefeito um projeto que pretende resolver o problema de transporte da Zona Oeste

O Sindicato das Empresas de Ônibus do Município do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) vai entregar para o prefeito Eduardo Paes, na segunda quinzena deste mês, um projeto feito por uma empresa paulista que pretende resolver o problema de transporte da Zona Oeste da cidade. Segundo o vice-presidente do Rio Ônibus, Ocaticílio Monteiro, uma das soluções apontadas pelo estudo seria a criação de terminais em Santa Cruz, Campo Grande, Bangu ou Deodoro, com linhas expressas ligando os bairros ao Centro e ainda linhas para a Barra da Tijuca. Além disso, outras rotas seriam feitas para cruzar os bairros internamente, o que reduziria os intervalos e a superlotação nas viagens, oferecendo mais conforto aos passageiros.

Monteiro explicou que os locais de funcionamento dos terminais ainda estão sendo escolhidos e também que a pesquisa deve mostrar qual será o tipo de equipamento a ser utilizado para realizar o trajeto, se veículos articulados ou não. Ele disse que os passageiros dos terminais serão beneficiados com sistema integrado de bilhetes, o que tornaria o preço mais baixo. No entanto, o custo final também está em analise.

O doutor em engenharia de transporte pela Coope da UFRJ Fernando McDowell apresentou críticas a ideia de novos terminais como solução para a questão dos transporte na região. De acordo com o especialista, o local não acrescentaria um serviço bom para o usuário, sendo o ideal a criação de áreas de integração similares a grandes pontos de ônibus.

"Terminal historicamente no Rio de Janeiro não resolve. Apenas deteriora o espaço. Atualmente, é incapaz que a cidade consiga um terminal que venha a acrescentar um serviço bom para o usuário, que não venha, por exemplo, a piorar o sistema que já existe. Já são muitos terminais no Rio. A solução seria áreas de integração, como grandes pontos de ônibus. Os passageiros pegariam o coletivo e iriam embora", explicou McDowell.

O especialista ressaltou ainda a necessidade de racionalizar todo o sistema de transporte coletivo carioca com a mudança no sistema tarifário e nos custos operacionais, o que demanda um estudo sistêmico. Segundo ele, a capital fluminense em razão de sua geografia teria potencial fácil de ser trabalhado, mas falta coragem e competência para fazer as coisas fluírem.

"O Rio é muito mais fácil de trabalhar do que São Paulo, por exemplo. Como estamos entre o mar e a montanha precisamos fazer menos coisas. Poderíamos estar fazendo muito. Porém, só se discute politicamente. Tem que se ter coragem para resolver esse tipo de problema e competência para fazer as coisas fluírem", alfinetou.

Além disso, McDowell apontou os horários de pico no início da manhã e no final da tarde como outro grande problema na questão do transporte da Zona Oeste. Para ele, uma opção para o caso seria incentivar o uso do solo nas regiões, ou seja, investir em projetos que desenvolvam as áreas com mais comércio, por exemplo. Assim, as pessoas não precisariam buscar outros bairros poderiam trabalhar próximo a suas casas, o que inclusive tornaria o preço do transporte mais barato. "Reduz custos, tarifas e aumenta empregos", explicou.

A construção da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Santa Cruz, na Zona Oeste, é um exemplo de que o investimento para região pode incrementar a vida do local. As obras já chegaram a provocar um aumento no tráfego na Grota Funda de cerca de 15%, mas nada ainda foi feito para tentar resolver o problema, conforme apontou McDowell.

"O perfil do tráfego do local já foi alterado, porém nenhuma medida foi tomada até o momento para a questão", contou o especialista.

Fonte: SRZD

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