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Estado anuncia obras para reativar o ramal Santa Cruz-Itaguaí já no ano que vem

Trens devem beneficiar cerca de 10 mil trabalhadores, principalmente do Distrito Industrial. Trecho terá cinco estações


Obras para reativar o ramal Santa Cruz-Itaguaí

O pesadelo do transporte público na Zona Oeste está perto de acabar para cerca de 10 mil trabalhadores. O secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, confirmou que começam ano que vem as obras de retomada da linha férrea que ligará Santa Cruz a Itaguaí para transporte de passageiros. O objetivo é atender funcionários e prestadores que trabalham no Distrito Industrial de Santa Cruz, sobretudo os que não contam com transporte particular financiado por empresas como Gerdau, Casa da Moeda e Michelin.

A obra inclui a reconstrução da linha férrea, desativada desde 1996, a construção de uma estação de trem de passageiros em Itaguaí e a remoção de dezenas de casas que foram construídas sobre os trilhos. De acordo com Lopes, o projeto ainda não foi orçado, mas ficará na casa das centenas de milhões e será financiado também por parceiros. “Além disso, usaremos uma indenização da Vale pelo uso de um trecho do estado para custear boa parte das obras. O estado também entrará com recursos e as conversas com os parceiros estão bem adiantadas”, garantiu.

A retomada da via férrea vai beneficiar trabalhadores como o pedreiro José Carlos Dias, 37. Para chegar ao trabalho, no setor da construção civil, em Itaguaí, ele precisa pegar ônibus e uma Kombi do transporte alternativo irregular. Gasta mais R$ 8 por dia nos deslocamentos. “Quando o trem voltar a circular, poderei pegar apenas uma condução. Ganharia mais tempo para o lazer e economizaria dinheiro”, disse o morador de Santa Cruz.

RAMAL ATIVO NOS ANOS 90

O novo ramal sairá da estação de trem que já existe no bairro e percorrerá 11 quilômetros até a primeira parada, em Itaguaí, na etapa inicial do projeto. Agora será uma linha simples, puxada a máquina para transporte de passageiros, separada dos trilhos usados para cargas.

Na segunda parte, o traçado ganhará mais quatro paradas, a serem definidas assim que os estudos de simulação de tráfego forem concluídos. Será feita ainda eletrificação e duplicação da linha (ida e volta).

A intenção da secretaria é que a linha volte a operar em 2010. O trecho Santa Cruz-Itaguaí já transportou cinco mil pessoas nos horários de rush na década de 90.

Consórcio ajudará o estado no ramal

Grandes empresas também estão querendo botar a Zona Oeste nos trilhos. José Jacques, diretor da Gerdau, uma das gigantes que se instalaram no Distrito Industrial de Santa Cruz, lidera o grupo de companhias que procurou a Secretaria Estadual de Transportes. Segundo Jacques, o ‘consórcio’ fará tudo para tirar o projeto do papel: “Temos interesse em fazer dessa a região mais próspera do estado. Para isso, é fundamental oferecer melhores condições para ir e vir do trabalho”.

Trinta anos de deficiências no transporte

O caos no transporte público afeta a Zona Oeste há pelo menos três décadas. Desde 1982, ano em que a Casa da Moeda do Brasil se mudou do Centro para Santa Cruz, os empregados utilizam ônibus particulares. “O sistema não acompanhou o crescimento da região. O problema é que nem todos os trabalhadores têm esse privilégio”, explicou Pedro Matos, do Departamento de Apoio Logístico da instituição.

As empresas do distrito reivindicaram ao prefeito Eduardo Paes e ao governo do estado aumento no número de linhas de ônibus também. O Rio Ônibus prometeu apresentar um estudo para melhorar o transporte na região.

Fonte: Amanda Pinheiro - O Dia

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