Notícias

Primeira Página » Notícias » CPI do Pãozinho quer fim de contrato

CPI do Pãozinho quer fim de contrato

Vereadores descobriram que empresa fabrica pão careca dentro do presídio no Centro do Rio, mas só informou endereço em Jacarepaguá


Vereadores recolhem amostra para análise na UFRRJ

A CPI do Pãozinho vai pedir à Prefeitura do Rio a suspensão do contrato da merenda com a empresa Home Bread Indústria e Comércio Ltda. A empresa não informou que produz pães na padaria do presídio Hélio Gomes, na Frei Caneca, o que caracterizaria quebra de contrato. O endereço fornecido pela empresa na licitação, no valor de R$ 9,8 milhões, foi o da Estrada do Tindiba 316, em Jacarepaguá.

Ontem, porém, a presidente da CPI, vereadora Lucinha (PSDB) e o vereador Paulo Messina (PV) verificaram que o pãozinho careca de 50 gramas sai do presídio em embalagens com o endereço de Jacarepaguá. “Isso é muito grave. Ela não informou todos os locais de produção para que os órgãos do governo e da vigilância sanitária pudessem fazer a fiscalização”, criticou Paulo Messina.

O Instituto Annes Dias, que homologa e atesta a qualidade dos alimentos adquiridos pela prefeitura, informou à CPI que não sabia da produção no presídio. “Eu perguntei na CPI ao dono da Home Bread se a empresa tinha subsedes ou filiais e o proprietário garantiu que a única sede era a da Tindiba”, disse a vereadora Lucinha.

Há cinco anos, a Home Bread utiliza mão de obra carcerária através de um convênio com a Fundação Santa Cabrini. Pela Lei de Execuções Penais, o presidiário que trabalha recebe três quartos do salário mínimo e reduz a pena em um dia a cada três trabalhados. A empresa, por sua vez, não tem despesa com água, luz ou IPTU. “Com tantos subsídios, era para oferecer um preço menor”, disse Paulo Messina.

Na avaliação do prefeito Eduardo Paes, o problema da padaria de Jacarepaguá é um detalhe. “Temos que ajustar”, disse. A Secretaria Municipal de Administração informou que a Home Bread cumpriu todas as exigências do edital.

Amostras serão comparadas

A amostra do pão da merenda recolhida ontem no presídio será enviada hoje para análise na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O material servirá como contraprova para confirmar o resultado da análise feita em agosto pela mesma universidade. Na época, o produto estava com a embalagem furada e tinha sido recebido pela Rural com um dia de vencimento. Segundo a universidade, isso não interferiu no resultado final.

O Laboratório Analítico de Alimentos e Bebidas da Rural concluiu que o produto estava fora dos padrões de consumo exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em três quesitos: aspecto, cor e microscopia. O pãozinho careca doce tinha “pontos pretos e aparência de mofos, cor escura esverdeada, e presença de sujidades”.

Falta de higiene deixa pais revoltados

A falta de higiene na fabricação do pãozinho e a mistura de produtos de limpeza com alimentos consumidos nas escolas e creches do município revoltaram mães de alunos. “Infelizmente não posso pagar escola particular para meu filho e neto. Lá tudo é de primeira qualidade. Na escola pública, as marcas são de qualidade inferior”, criticou a babá Cláudia da Paz Souza, 43 . O neto dela, Daniel, 2 anos, e outros colegas de creche municipal já tiveram diarreia e vômito. “A médica disse que tinha sido alguma coisa que ele comeu na creche”, disse Cláudia, que ficou indignada com afirmação do prefeito. “Ele deve achar que tomar banho é detalhe também”, desabafou.

Fonte: Maria Luisa Barros - O Dia Online

Rodapé


Desenvolvido por Campuska.com