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Pãozinho: CPI aperta cerco

Comissão quer que sejam investigadas as notas fiscais de três empresas. Há suspeita de que as três fornecedoras pertençam ao mesmo grupo


Lucinha pariticipou da vistoria em Jacarepaguá

A CPI do Pãozinho encaminhou ofício à Delegacia Fazendária solicitando que sejam investigadas todas as notas fiscais dos produtos alimentícios emitidas pelas empresas Home Bread, São Judas Tadeu e Homefruit.

“Há fortes indícios de sonegação de tributos e de que essas empresas pertençam ao mesmo grupo que fornece produtos para a Prefeitura do Rio”, revela a presidente da CPI, vereadora Lucinha (PSDB). A Comissão encerrou os trabalhos na sexta-feira e agora terá 30 dias para elaborar o relatório final.

Na semana passada, vereadores da Comissão estiveram na sede das três empresas, no Ceasa e em Jacarepaguá, para averiguar denúncias anônimas encaminhadas à CPI. “Recebemos informações de que frutas, legumes e verduras fornecidos pela Home Bread saem diretamente dos galpões da Homefruit para as escolas da Prefeitura do Rio”, disse Lucinha. A empresa garante que as entregas são feitas à sede da Home Bread, na Estrada do Tindiba 316, em Jacarepaguá. Por isso, os parlamentares pediram cópia das notas fiscais do mês de outubro para comprovar os locais de entrega.

Na blitz não foram encontrados documentos que confirmassem ligação entre as empresas. Ficou comprovado apenas que a Homefruit fornece produtos para a Home Bread e a São Judas Tadeu. Os vereadores tiveram dificuldade para localizar a Homefruit, que ocupa três boxes no Pavilhão 24, no Ceasa. O nome da empresa só aparece dentro do galpão. Na fachada, o nome é American Fruit.

A CPI conseguiu chegar ao local através de funcionários que estavam com a camisa da São Judas Tadeu no pavilhão da Homefruit. A Homefruit informou que é apenas fornecedora da Home Bread e da São Judas Tadeu. O proprietário da Home Bread, Antônio Carlos Monteiro, disse que as empresas não pertencem ao mesmo grupo e que vendeu sua parte na São Judas Tadeu em 2008.

Denúncias de O DIA motivam investigação

Após série de reportagens de O DIA, a CPI foi criada para apurar irregularidade no fornecimento de alimentos às escolas. As denúncias mostraram, entre fevereiro e maio, distorção no preço do pão careca. O quilo do pãozinho distribuído aos 750 mil alunos municipais custava mais do que o da carne. Por um ano, o pão de 30g foi mais caro que o de 50 g: o menor custava R$ 0,32, e o maior saía por R$ 0,24.

Mais caro no varejo do que no atacado

A Prefeitura do Rio paga mais caro no atacado do que no varejo para comprar merenda escolar, segundo levantamento feito pela CPI. Em visita à Escola Municipal General Napion, no Complexo da Maré, o vereador Paulo Messina (PV) recolheu nota fiscal da compra pela prefeitura de 11 produtos no valor de R$ 17,40. O parlamentar comprou produtos similares no comércio do entorno da escola por R$ 16,76. “É indício muito grave. Deveria ser mais caro no varejo do que no atacado, em grandes quantidades. Se ao menos fossem produtos de qualidade reconhecida no mercado. Mas não foi isso que verificamos”.

Fonte: Maria Luisa Barros - O Dia Online

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